Entrevista com Karl Felippe

Representante e co-fundador do Conselho Steampunk, o paulista Carlos Felipe fala um pouco sobre o grupo e sobre o gênero literário que os aproxima.

Como foi criado o Conselho Steampunk? Além de você, quem mais o criou?
Os criadores do Conselho Steampunk foram o Bruno Accioly e o Raul Cândido Ruiz.  Ele (Cândido) foi quem entrou em contato com o Bruno em meados de 2008, quando teve a ideia de fazer um blog sobre steampunk e descobriu que o Bruno mantinha um site voltado para o assunto. Os dois decidiram formar o grupo. Eu só estava lá o inicio de tudo, digamos.

Como funciona a Loja São Paulo? Há hierarquias, reuniões, sede ou ela existe apenas em domínio virtual?
A Loja São Paulo não tem uma sede física ou uma hierarquia estabelecida. A própria divisão em núcleos, ou “lojas”, serve exatamente para facilitar o andamento das atividades do Conselho, para que se tenha mais autonomia. Existe apenas uma distribuição de tarefas quanto à atualização do site ou quando precisamos de um porta voz. Normalmente a parte  “social” fica nas mãos do Raul, mesmo porque ele tem mais jeito com as pessoas.

Por que você acha que o Steampunk deu tão certo no Brasil?
Ressonância morfogenética (risos). Certo, falando sério: acho que o motivo foi simplesmente timming. Fora do Brasil, a “cena” steampunk, por assim dizer, já estava crescendo exponencialmente (a chamada segunda onda steampunk), mas agora não apenas nos livros, mas também como subcultura, se espalhando para outras formas de arte –  pintura, escultura, modelagem, moda, constumização, musica e assim por diante. Era natural que algo assim chegasse aqui, calhou apenas de não ser com um atraso muito grande.
Talvez a identificação com o steampunk deva-se ao fato de que, aqui no Brasil, não houve uma grande explosão tecnológica no século XIX, como em outro países, mas houve uma grande produção cultural (literária). Isso pode-se perceber na ênfase dada às obras produzidas aqui e, mesmo na vitalidade diferente das histórias steampunk produzidas no Brasil, que costumam se desviar um pouco do otimismo “a ciência nos salvará!” de outras histórias, assumindo uma postura mais para “a ciência nos salvará?” de um modo bem parecido com as primeiras histórias steampunk escritas no início dos anos 1980.

Quantas pessoas fazem parte do movimento, ativamente, em São Paulo?
Em São Paulo, ativamente, não é um número muito grande. Suponho cerca de 20 ou 30 pessoas (mesmo que a comunidade da Loja conte com mais de 300 membros). Mas existe muito apoio mútuo entre as lojas no campo virtual e, quando possível, no físico também.

Quais são seus autores de referência?
Poderia citar James Blaylock, K. W. Jeter e Michael Moorcock porque li mais de dois livros de cada um que se encaixassem no gênero. E alguns livros que valem a pena mencionar são The Difference Engine, do William Gibson e do Bruce Sterling, Anti-Ice do Stephen Baxter, a antologia Extraordinary Engines de Nick Gevers, bem como a antologia Steampunk de Jeff e Ann Vardermeer. Mainspring do Jay Lake (que não é exatamente steampunk, mas dane-se), os dois primeiros volumes da Liga Extraordinária do Alan Moore, e mais recentes como o Boneshaker, da Cherie Priest, Leviathan do Scott Westerfield, Clockwork Heart da Dru Pagliassotti,  Whitechapel Gods do S.M. Peters, e bem, temos duas antologias nacionais no gênero que são realmente muito boas: uma da editora Tarja e outra da Draco.

Carlos Eduardo Pereira Felippe
Artista plástico, editor do site da Loja São Paulo do Conselho Steampunk, colunista do site OutraCoisa.com.br, um dos membros-fundadores do Conselho Steampunk.

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